sexta-feira, 30 de outubro de 2009

by Cida Brasileiro




Pessoas são palavras

Escolher a palavra certa
Eis a minha missão
Buscar talvez os adjetivos mais indescritíveis
Romper o tempo
Correr a alma da tenra infância
Sondar a canção dos pássaros
Metamorfosear nos seres alados
Mergulhar nas profundas água cristalinas
E se após tamanha busca
Não encontrares...
Bastarás então divagar em metáforas
Ouvi-las constantemente
Nos olhares sintuosos
De cada um de vocês:
No silêncio das palavras
De Leana, Lúcia, July
Maria Aparecida e Marisângela.
No riso e encanto
De Alessandra, Regiane e Fabíola
No tempo impreciso
De Benedito e Wilike
Na voracidade de saber
De Ediélia e Edineuza
No charme das deusas
Nos longos vestidos de Fernanda
Na voz que se calou
de Franscisco Rodrigo
No compromisso e persistência
De Niracy e Helenice
Nas graças e palhaçadas
De Ivanley ou Gilberto?
Na sutil presença
De Luciana e Roberta
Na simplicidade e determinação
De Márcia e Sônia
No jeito doce e misterioso
De Tatiely
Nas leituras inteensas
De Thiago
E por que não, na ausência presente
De Selma.
Enfim, apenas palavras
Que querem ficar guardadas na lembranças
De cada um de vocês
Que embora o tempo não se faça tão extenso
Compuseram as páginas da minha literatura

Motivo

Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias no vento.
Se desmorono ou edifico,se permaneço ou me desfaço,- não sei, não sei. Não sei se fico ou passo.Sei que canto.
E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E sei que um dia estarei mudo:- mais nada

(Cecília Meireles)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009


Um Parnasiano

Não. Minha poesia não é como a tua, a flor cuidada dos interiores silenciosos.(...)
Não nasci vendo o céu sereno e o mar azul,
Nasci recebendo na face a chicotada da neve das estepes imensas. (...)
Os meus versos, eu os atiro a esmo, na face dos maus.
São blocos de pedras que eu tiro da alma, com marteladas fortes.
Para construir, com a argamassa do sangue e das lágrimas,
O grande monumento, disforme e rude, ao sofrimento universal.
Não. Eu não tenho, como tu a alma de um grego.
Camilo de Jesus Lima

quarta-feira, 28 de outubro de 2009


Os olhos são reflexo da alma,
são fogo e chuva que brotam
da fonte da essência,
são cristais sedutores,
sombras de anseios e medos,
oceanos profundos e serenos,
doces portos de abrigo,
são magoas, são questões, são revoltas, são dor, são encontros, inconfidências, cumplicidades, enfim,
os olhos são muito mais do que vêem e dizem,
transcedem-se a si mesmo em plenitude e poder,
são galáxias num universo sem fim.


BOCAGE