sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Uma criança...


Habita dentro de mim uma criança...
Em meu coração ela fez bagunça
Em minh'alma ela brinca de ser feliz

Tenho medo do mundo
Tenho sonhos de mais
Quero correr contra o tempo
Não posso voltar atrás

Não envelheço
Não posso!
Vou assim até o fim...

Quero rir sem motivo
Colo quando chorar
Quero meu braços livres
Quero alguém para amar...

Não envelheço
Não posso!
Vou assim até o fim...

Quero pés descalço pra correr n'areia
Tomar banho de chuva
Quero um dia de sol
Quero o abraço do vento
Quero a lua dentro de mim

Não envelheço
Não posso!
Vou assim até o fim...

Ensinar é...


Ensinar é viver eternamente no outro;
Saber que todos os dias inúmeros sorrisos transbordando de alegria estarão a sua espera no portão da escola;
Ensinar é ser acolhidos a cada manhã por fortíssimos abraços e gritos de "ei tia".
É viver a cada momento uma infância interminável. Brincar de pega-pega, cair na lama e dar boas risadas da própria sujeira. (Aconteceu comigo!)
Ensinar é aprender com a pureza de uma criança que a vida só tem sentido se a gente comer doce todos os dias. (risos)
É saber que você é inesquecível por fazer acontecer o milagre do amor divino: doar-se ao próximo, mesmo que este próximo seja umas "formiguinhas".
Ensinar é se encantar sempre com a possibilidade de construir um amanhã melhor, e que mesmo os esforços não sendo reconhecidos, agimos silenciosamente no coração e na alma de cada aluno.
Ensinar é amar.... Porque sem amor não se aprende!

Menino...


Sonhei contigo hoje;
Foi um sonho bom; de tão bom que seu cheiro ficou em mim.
No meu corpo ele fez morada e não quer mais sair.
Meu coração anda meio bobo, descompassado, perdendo o ritmo
quando penso em você.
Sei lá menino... tu brincas comigo;
Vira e remexe minha vida
Bagunça meus cabelos....me enfeitiça com esse olhar


Ah, menino!! Dexa-me sonhar contigo de novo?

Minha alma


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa